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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

«Um Escritor Único»


Transcrevemos, com a devida vénia, do blogue "Largo da Memória":

«Acabei de ler o romance, "Andam Faunos pelos Bosques", do grande Aquilino Ribeiro, requisitado na Biblioteca da Incrível Almadense.
Foi uma sugestão de um amigo, durante uma conversa, em que por qualquer motivo, falámos da influência da religião católica junto das comunidades, especialmente no Interior Norte, durante a ditadura e o PREC. A meio da conversa perguntou-me se já tinha lido o livro. Como disse que não aconselhou-me a sua leitura, sem se esquecer de referir a riqueza vocabular única.
E sim, mais importante que a história do livro (o aproveitamento da mitologia por parte das jovens, bonitas e casadoiras, que "inventaram" um demónio que as atacava e violava, metade bicho, metade homem, conseguindo dar vida aos "faunos", para justificar os seus devaneios... que também é um bom retrato de época, especialmente da vida dos padres, ao ponto de percebermos que a maioria achava estranho que um deles, o padre Dâmaso, não tivesse mulher, não fumasse nem bebesse...), é a utilização primorosa da linguagem regional (ou popular).
Percebi também que Ricardo Araújo Pereira, foi buscar algumas palavras ao Aquilino, misturando-as nas frases de humor inteligente, que é uma das suas imagens de marca  (já o ouvi mais que uma vez a falar de "éguas rabonas" ou de "fúfias de cócoras" ou ainda de "marmanjos amolecidos"... ou referir-se a "safardanas", coisa que nunca faltou por aqui).
Foi bom voltar a ler Aquilino (talvez não o lesse há mais de vinte anos...).»

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Romeu Correia Sócio da Incrível...


Publicamos a proposta de inscrição de Romeu Correia como sócio da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, datada de 20 de Junho de 1945, quando ele tinha 27 anos.

Na época morava muito perto da Incrível, na Avenida Heliodoro Salgado.

O sócio proponente foi Libânio Ferreira, o grande entusiasta do desenvolvimento das bibliotecas em Almada e do seu intercâmbio.

sábado, 27 de maio de 2017

O "Trapo Azul"


Transcrevemos da "Apresentação da primeira edição do romance, "Trapo Azul", publicado em 1948, as palavras de Romeu Correia. Desta vez ele não fala da Incrível, mas de um grande Incrível, Alberto de Araújo, o patrono da nossa Biblioteca:

«Na pacata vila de Almada, que por esses tempos não ia além de trinta mil almas, passei ao papel uma longa história das pobres costureiras dos fatos de ganga para os operários, profissão-último recurso, sujeita à mais desenfreada exploração das mestras, que nalguns casos (por paradoxo que pareça!) eram mulheres ou filhas de… operários.
A falta de consciência de classe tem sido uma constante anti-revolucionária do povo português; a mentalidade pequeno-burguesa uma alienação, uma nódoa imperceptível, que alastra, traiçoeira, por todos os lados- A fome e o frio sofridos na carne não são vistos como uma flagrante e intolerável injustiça social a que devemos pôr fim. [...]

Outro amigo de quem desejei ouvir uma opinião sobre o texto foi o Dr. Alberto Emílio de Araújo, dois anos antes libertado do campo de concentração do Tarrafal. Professor liceal, de sólida cultura humanista, tinha uma perspectiva  marxista da sociedade como raros neste país. Militante do Partido Comunista Português, pertenceu ao seu comité Central durante anos. O regresso deste filho querido a Almada fora um acontecimento local do pós-guerra. Éramos vizinhos e amigos, por isso lhe pedi opinião sobre o meu manuscrito. Mas a sua frágil e conturbada saúde sofrendo crises sucessivas, tivera por essa altura uma das mais graves recaídas. E fora forçado a recolher-se ao Hospital dos Capuchos para extrair um rim. Com mágoa minha, o Alberto Araújo, só pôde ler o Trapo Azul., impresso, um ano depois.»

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (8)


Continuando com Ramalho Ortigão, grande figura das nossas letras na segunda metade do século XIX, falamos-vos hoje da sua obra, "Banhos de Caldas e Águas Minerais", com uma viagem deliciosa pelas principais termas do nosso país.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (7)


"Em Paris" é um olhar crítico de Ramalho Ortigão sobre esta Cidade e as suas Gentes.

É um retrato de época delicioso.

sábado, 3 de setembro de 2016

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (6)


Temos recebido muitas ofertas de livros de antigos associados e também dos seus familiares.

Muitos deles não sabem o que fazer aos livros. Aliás, sabem que não os querem deitar para o lixo.

Embora tenhamos um espaço com limitações, continuamos a receber livros, porque acreditamos que ainda podem ser lidos...

A "Tenda dos Milagres" de Jorge Amado, é uma dessas ofertas.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (5)


Na nossa estante de "Liteartura Portuguesa" encontrámos o "Diário" de Mário Sacramento, em que o autor faz um registo muito pessoal dos anos de 1967 a 1969.

Mais uma boa obra à dispor dos Incríveis.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A Incrível Está Bem Representada no Ciclo "Escritores - Memória Viva de Almada"


A Incrível Almadense está muito bem representada no Ciclo "Escritores - Memória Viva de Almada", que decorre às quartas feiras (quinzenalmente) na Sala Pablo Neruda do Forum Romeu Correia, pois dos quatro escritores convidados três são Incríveis. 

Referimos-nos a Fernando Barão, Luís Alves Milheiro e Alexandre Castanheira, sócios com um passado que nos orgulha a todos, como dirigentes e animadores culturais.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (4)


"História de Mulheres" é um conjunto de contos e novelas de José Régio, em que as principais personagens são sempre mulheres.

É um dos bons livros de prosa de Régio, que para muitos é sobretudo um poeta. Algo completamente errado, pois José Régio escreveu um pouco de tudo, inclusive teatro e ensaios.

Esta obra foi editada pela Portugália Editora em 1968 e é a sua terceira edição. A capa é de João da Câmara Leme.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (3)


O livro de contos, "Este Mundo dos Homens", da autoria de Orlando Gonçalves, enriquecido com as bonitas ilustrações de Cipriano Dourado, editado pela Orion no começo da década de 1950, aborda a temática neo-realista, tão em voga nesses tempos, para quem fazia da sua escrita uma forma de oposição ao poder ditatorial vigente no nosso país.

A obra é dedicada a Ferreira de Castro, Assis Esperança e a Cipriano Dourado e também para: Todos os Homens que têm permanecido Homens.

Apesar de não ser um autor muito conhecido, Orlando Gonçalves tem uma escrita escorreita, oferecendo-nos belos contos desses tempos difíceis suportados pela generalidade dos portugueses.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (2)


"Flores ao Telefone" é o título de um dos livros de contos de Maria Judite de Carvalho da nossa biblioteca, que aconselhamos, a todos aqueles que gostam de histórias cheias de pessoas e de acontecimentos do nosso dia a dia.

Maria Judite de Carvalho foi jornalista e escritora e também esposa de um grande escritor, Urbano Tavares Rodrigues, que foi visita da nossa casa.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Porque Hoje se Festeja Saramago


Porque hoje se festeja José Saramago, o nosso Nobel da Literatura, que faria 93 anos, mostramos com orgulho o seu autógrafo para a nossa biblioteca, do livro "Objecto Quase"...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (1)


Estreamos hoje uma nova rubrica fruto da leitura de livros da nossa biblioteca, as "Boas Leituras da Nossa Biblioteca".

E não podíamos escolher melhor livro que a "Intervenção Sonâmbula" de José Gomes Ferreira, editado pela "Diabril" em 1977.

Trata-se de uma espécie de diário sobre o PREC, com uma incidência especial sobre o ano "quentíssimo" de 1975, principalmente de 11 de Março a 25 de Novembro, com o olhar irónico de uma grande poeta e escritor, que escolheu as palavras para fazer a sua Revolução.

É um livro aconselhável para todos aqueles que gostam da nossa história recente, ou que queiram perceber um pouco melhor o que se passou no nosso país, num período onde se sonhava e lutava quase com a mesma força...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Os 90 Anos de Fernando Barão


Fernando Barão, escritor almadense e sócio honorário da Incrível festejou no dia 2 de Janeiro, 90 anos de idade.

Em sua homenagem a Biblioteca da Incrível organizou uma mostra com toda a sua obra literária, que continua patente na vitrine do hall de entrada da sede social.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

As Aquisições da Nossa Biblioteca (1)

Nos últimos anos as novas aquisições da Biblioteca da Incrível têm-se limitado às ofertas de obras, quer de autores almadenses, do Município de Almada, da Junta de Freguesia de Almada, e claro, das várias terras visitadas pela nossa Banda Filarmónica, que nos oferecem várias monografias sobre a sua história.


A Revista Cultural  "Anais de Almada (nºs 15 - 16), coordenada pelo dr. Alexandre M. Flores é um destes exemplos.


Assim como este "Compromisso", a compilação de todas as intervenções da presidente da Câmara Municipal, Maria Emília de Sousa.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Urbano Tavares Rodrigues (1923 - 2013)


O escritor Urbano Tavares Rodrigues, deixou-nos hoje, aos 89 anos.

Além de ser uma presença assídua na nossa biblioteca, com cerca de duas dezenas de obras da sua autoria, também participou nos anos 1970 num colóquio realizado nas instalações culturais da Incrível Almadense.

Foi um excelente romancista, cuja obra teve sempre um denominador comum: as pessoas e as questões sociais.

Publicamos a foto da sua passagem pela Incrível em sua homenagem.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Os Livros da Nossa Biblioteca (3)


Uma das coisas mais curiosas que temos descoberto nesta primeira fase da digitalização dos livros da nossa biblioteca, é a qualidade artística de muitas capas.

Infelizmente muitas não podem ser digitalizadas com qualidade, porque uma boa parte dos livros foram encadernados, para durarem mais tempo nas estantes da Incrível.

Até mesmo algumas histórias novelescas, como as "Tristezas à Beira-Mar", de Manuel Pinheiro Chagas, tem capas cheias de cor e vida.

domingo, 9 de junho de 2013

Os Livros da Nossa Biblioteca (2)


"Fonte da Telha", é um romance escrito por Alexandre Cabral, de 1949, no auge do neo-realismo, que faz parte da estante da literatura portuguesa da Biblioteca da Incrível Almadense.

A capa é bem o símbolo deste movimento literário, da autoria de Manuel Ribeiro de Pavia, com uma mulher descalça em primeiro plano, e mais atrás as varinas e os pescadores.

O Autor viveu uns tempos nesta aldeia de pescadores - ainda longe da praia afamada dos nossos dias -, para poder contar exactamente como era a vida difícil da gente do mar...


domingo, 21 de abril de 2013

Um Documento Importante


"O Sábado sem Sol" de Romeu Correia provocou alguma polémica em Almada, pois algumas pessoas sentiram-se retratadas em alguns dos seus contos e fizeram queixa do escritor, tendo esta obra entrado na "lista negra" da PVDE, que efectuou as diligências legais, quer na biblioteca da Incrível, quer na biblioteca da Academia, para a sua apreensão.

Felizmente os bibliotecários já estavam de sobreaviso e foi apreendido um número insignificante de livros.

Eis a cópia do auto de busca e de apreensão da polícia secreta...

sábado, 20 de abril de 2013

O "Sábado sem Sol" do Romeu


A edição do livro de contos, "Sábado sem Sol", com que o escritor Romeu Correia se estreou no mundo da literatura, em Fevereiro de  1947, é a prova que apesar da não existirem relações oficiais entre a Incrível Almadense e a Academia Almadense desde 1895 (data da fundação da Academia, por dissidentes da Incrível, considerados traidores pela Colectividade mais antiga de Almada...), as duas bibliotecas já cooperavam entre si.

Esta edição contou com o apoio de ambas as bibliotecas, tendo o seu lucro também sido dividido por ambas, por decisão de Romeu Correia.

Esta cooperação também foi importante para a aquisição de livros proibidos ou que não eram  editados entre nós, encomendados a consócios ou amigos almadenses das duas Colectividades, que trabalhavam na Marinha Mercante e os traziam do Brasil.