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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

«Um Escritor Único»


Transcrevemos, com a devida vénia, do blogue "Largo da Memória":

«Acabei de ler o romance, "Andam Faunos pelos Bosques", do grande Aquilino Ribeiro, requisitado na Biblioteca da Incrível Almadense.
Foi uma sugestão de um amigo, durante uma conversa, em que por qualquer motivo, falámos da influência da religião católica junto das comunidades, especialmente no Interior Norte, durante a ditadura e o PREC. A meio da conversa perguntou-me se já tinha lido o livro. Como disse que não aconselhou-me a sua leitura, sem se esquecer de referir a riqueza vocabular única.
E sim, mais importante que a história do livro (o aproveitamento da mitologia por parte das jovens, bonitas e casadoiras, que "inventaram" um demónio que as atacava e violava, metade bicho, metade homem, conseguindo dar vida aos "faunos", para justificar os seus devaneios... que também é um bom retrato de época, especialmente da vida dos padres, ao ponto de percebermos que a maioria achava estranho que um deles, o padre Dâmaso, não tivesse mulher, não fumasse nem bebesse...), é a utilização primorosa da linguagem regional (ou popular).
Percebi também que Ricardo Araújo Pereira, foi buscar algumas palavras ao Aquilino, misturando-as nas frases de humor inteligente, que é uma das suas imagens de marca  (já o ouvi mais que uma vez a falar de "éguas rabonas" ou de "fúfias de cócoras" ou ainda de "marmanjos amolecidos"... ou referir-se a "safardanas", coisa que nunca faltou por aqui).
Foi bom voltar a ler Aquilino (talvez não o lesse há mais de vinte anos...).»

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Romeu Correia foi o Mote para mais uma Visita Colectiva à Biblioteca da Incrível


A Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal José Saramago, do Feijó, organizou em encontro em Almada com as Comunidades de Leitores de Montemor-o-Velho e de Sines, com o objectivo de visitarem vários lugares ligados à vida literária de Romeu Correia, guiados pela professora Edite Condeixa e pelo bibliotecário Davide Freitas. 

Além da visita, houve também espaço para a leitura de alguns trechos dos seus livros.

A Biblioteca da Incrível (e o nosso espaço museológico) foi um dos espaços da visita, que pensamos ter agradado às três dezenas de visitantes, alguns dos quais ouviram falar pela primeira vez da história gloriosa da nossa Incrível Almadense no sábado passado.

A recepção a todos estes amantes de livros foi feita pelos seguintes dirigentes incríveis: Alfredo Guaparrão dos Santos, Joaquim Brás, Leonor Borges, Luís MIlheiro e Vitor Soeiro.

(Fotografia Luís Eme)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

"O Tritão"



Desta vez não faço nenhuma referência à Incrível (Romeu não tinha de falar da "Sociedade Velha" em todos os livros, mas sim a um passeio do escritor com a esposa e os netos, na página 160 de "O Tritão"...

«Há dias voltei ao Ginjal, na companhia da Almerinda e dos nossos netos, para uma romagem sentimental. Tanto o João Vasco como a Ana Margarida, ele com cinco anos e ela com dois, vinham movidos e deslumbrados pel aventura da pesca. Num prolongamento das histórias fabulosas – O Capuchinho Vermelho, A Gata Borralheira, A Branca de Neve… - os miúdos acreditavam pescar com a nossa frágil cana alguns animais marinhos, tais como golfinhos, polvos gigantes, tubarões e até baleias… A Almerinda, cheia de ternura e paciência pelos netos, vinha por vir, sabendo que nas águas poluídas do rio raramente se pescava um chamilro. Parámos junto da nossa antiga casa, escolhemos uma argola de ferro, minha companheira de tantas pescarias de outrora, e assentámos arraiais.»

É uma delicia...

sábado, 27 de maio de 2017

O "Trapo Azul"


Transcrevemos da "Apresentação da primeira edição do romance, "Trapo Azul", publicado em 1948, as palavras de Romeu Correia. Desta vez ele não fala da Incrível, mas de um grande Incrível, Alberto de Araújo, o patrono da nossa Biblioteca:

«Na pacata vila de Almada, que por esses tempos não ia além de trinta mil almas, passei ao papel uma longa história das pobres costureiras dos fatos de ganga para os operários, profissão-último recurso, sujeita à mais desenfreada exploração das mestras, que nalguns casos (por paradoxo que pareça!) eram mulheres ou filhas de… operários.
A falta de consciência de classe tem sido uma constante anti-revolucionária do povo português; a mentalidade pequeno-burguesa uma alienação, uma nódoa imperceptível, que alastra, traiçoeira, por todos os lados- A fome e o frio sofridos na carne não são vistos como uma flagrante e intolerável injustiça social a que devemos pôr fim. [...]

Outro amigo de quem desejei ouvir uma opinião sobre o texto foi o Dr. Alberto Emílio de Araújo, dois anos antes libertado do campo de concentração do Tarrafal. Professor liceal, de sólida cultura humanista, tinha uma perspectiva  marxista da sociedade como raros neste país. Militante do Partido Comunista Português, pertenceu ao seu comité Central durante anos. O regresso deste filho querido a Almada fora um acontecimento local do pós-guerra. Éramos vizinhos e amigos, por isso lhe pedi opinião sobre o meu manuscrito. Mas a sua frágil e conturbada saúde sofrendo crises sucessivas, tivera por essa altura uma das mais graves recaídas. E fora forçado a recolher-se ao Hospital dos Capuchos para extrair um rim. Com mágoa minha, o Alberto Araújo, só pôde ler o Trapo Azul., impresso, um ano depois.»

domingo, 30 de abril de 2017

"Cais do Ginjal" (e a Incrível...)


O "Cais do Ginjal" é uma das obras autobiográficas de Romeu Correia, romanceadas, mais interessantes do ponto de vista da história local, onde ele nos retrata a sua infância e adolescência, passadas no Ginjal, na casa dos avós paternos.

Fala de pessoas, de lugares, importantes, que acabam por fazer parte da história de Almada.

Trata-se de uma obra editada em 1989 pela Editorial Notícias.

Transcrevemos uma parte da obra em que este se refere à Incrível:

«Para toda a gente estar presente do Cais do Ginjal estar presente, até um homem, que cortara relações comigo há anos, me veio abraçar. Tratava-se do mestre tanoeiro Zé de Almada, que amava até às lágrimas a Filarmónica Incrível Almadense, e que se zangara comigo por eu teimar que, na História de Portugal, havia dois reis com o nome de Manuel. Para ele só havia um, que, por sinal, fora o segundo…»

domingo, 26 de março de 2017

"Os Tanoeiros! (e a Incrível...)


O Romance "Os Tanoeiros" é o livro da autoria de Romeu Correia que tem mais referências à Incrível Almadense, graças a uma família de tanoeiros, músicos e  associativistas da "Sociedade Velha", que foram escolhidas como personagens...

Transcrevemos da página 27 do romance:

 «O pai de Alfredo tinha uma vida repleta de afazeres, afora o tempo consumido pela profissão. herdara muito cedo essa norma de vida. Ganhara-a mesmo quando, catraio, vagabundeara pelas ruas da vila ainda sem o jugo das horas, que não fosse o vir a casa petiscar e dormir. E logo a Sociedade, a sua Incrível, o prendera de amores para todo o sempre. Um dia seria homem. com a arte de um ofício segura nas mãos, senhor de uma mulher e da filharada – mas, antes de mais, músico e carola da Incrível Almadense. E cumpriu-se o desejo. Mestre Gaspar ministrou-lhe solfejo, assentou-lhe os dedos no instrumento e fê-lo sair à estante. Tinha catorze anos, quase um fedelho de cueiros, e já fazia um vistão, fardado e de cornetim à boca. Estreara-se numa madrugada, dia primeiro de Outubro de 1908 – no 60.º aniversário da Música Velha

sexta-feira, 24 de março de 2017

A Biblioteca da Incrível fez Parte do 1º Percurso do Roteiro Literário de Romeu Correia


Ontem mais de quatro dezenas de pessoas, entre professores, alunos da USALMA e gente anónima, interessada pela história de Almada, visitou a Biblioteca e o Espaço Museológico da Incrível Almadense, que fez parte do "1º Percurso do Roteiro Literário de Romeu Correia" (organizado pelas professoras Edite Condeixa e Ângela Mota).


A sala de reuniões foi o espaço escolhido para se trocarem impressões sobre a história da Incrível, através dos seus 14 livros já editados; sobre a edição do primeiro livro de Romeu Correia, "Sábado sem Sol", que contou com o apoio das Bibliotecas da Incrível e da Academia Almadense; e também houve espaço para uma pequena leitura das páginas do romance, "Os Tanoeiros", onde se homenageou uma das grandes figuras da Incrível (José Carlos Lírio) na personagem do mestre Damião.

Falaram da história da Incrível à interessada plateia, Alexandre Castanheira, Carlos Guilherme e Luís Milheiro.

Estamos certos que se os livros pudessem demonstrar o seu estado de espírito, tinham suspirado de alegria, por terem tantos visitantes, que os olharam e acariciaram com todo o carinho...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

"Sábado sem Sol", o Livro de Estreia de Romeu Correia


O "Sábado sem Sol" é a primeira obra de Romeu Correia. Trata-se de um livro de contos, com dez pequenas narrativas, que retratam parte da sua vivência no burgo de Almada.

Romeu explica muito bem a história deste livro no começo da segunda edição (Algumas Linhas Livres), que transcrevemos:

«Data dos fins de 1945 a minha crescente necessidade de passar ao papel várias histórias e figuras que povoavam o meu pequeno mundo. Testemunhar os problemas sociais, os conflitos de classe, os dramas humanos, revelando e condenando o mundo injusto e contraditório que nos rodeia e oprime, é a função primeira do contador de histórias. Foi o que fiz. Com alguma ficção para não irritar os patrícios, distanciei-me dos primitivos modelos utilizados, concluindo o meu livro no ano seguinte.»

E também escreve sobre a sua apreensão:

«Dois meses após a publicação, a PIDE procedia à apreensão do “Sábado sem Sol” (estímulo oficial tão frequente por esses tempos fascistas…), semeando o desgosto e a indignação na maioria dos meus leitores, e digo na maioria porque, inexplicavelmente, tristemente, houve, em Almada, quem, sentindo-se retratado nas páginas do livro, descesse à ignominia de me denunciar na sede da famigerada polícia política.»

É importante destacar que a receita desta primeira obra do Romeu foi oferecida às Bibliotecas Populares da Incrível e Academia Almadense.

sábado, 14 de janeiro de 2017

O Centenário do Nascimento do Escritor Romeu Correia (1917 - 2017)


Este ano assinala-se o centenário de Romeu Correia, o principal escritor do concelho de Almada.

Romeu foi um grande amigo das bibliotecas populares de Almada, como se comprovou logo na edição do seu primeiro livro de contos, "Sábado sem Sol", em que agradecido pelo apoio, distribuiu parte dos lucros da sua primeira edição pelas Bibliotecas da Incrível e da Academia Almadense.

Devido ao seu talento como escritor e dramaturgo foi-lhe atribuído o diploma de "Sócio Honorário" da Incrível Almadense.

A forma que encontrámos para o homenagear é publicar uma pequena nota de leitura todos os meses sobre uma das suas obras presentes na nossa biblioteca.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A Incrível em Destaque na História das Bibliotecas


Luís Alves Milheiro publicou a 2.ª edição de "As Bibliotecas Populares e o Desenvolvimento Cultural em Almada", um ensaio histórico que além de historiar o aparecimento das bibliotecas populares em Almada, faz a sua ligação ao desenvolvimento cultural da nossa Terra.

A Incrível merece um destaque especial, por ter aberto a primeira biblioteca popular em Almada e também por na actualidade ser a única grande colectividade que tem os seus livros ao dispor dos seus associados.

Uma leitura importante para quem gosta de história local e de livros.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (8)


Continuando com Ramalho Ortigão, grande figura das nossas letras na segunda metade do século XIX, falamos-vos hoje da sua obra, "Banhos de Caldas e Águas Minerais", com uma viagem deliciosa pelas principais termas do nosso país.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (7)


"Em Paris" é um olhar crítico de Ramalho Ortigão sobre esta Cidade e as suas Gentes.

É um retrato de época delicioso.

sábado, 3 de setembro de 2016

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (6)


Temos recebido muitas ofertas de livros de antigos associados e também dos seus familiares.

Muitos deles não sabem o que fazer aos livros. Aliás, sabem que não os querem deitar para o lixo.

Embora tenhamos um espaço com limitações, continuamos a receber livros, porque acreditamos que ainda podem ser lidos...

A "Tenda dos Milagres" de Jorge Amado, é uma dessas ofertas.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (5)


Na nossa estante de "Liteartura Portuguesa" encontrámos o "Diário" de Mário Sacramento, em que o autor faz um registo muito pessoal dos anos de 1967 a 1969.

Mais uma boa obra à dispor dos Incríveis.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A Incrível Está Bem Representada no Ciclo "Escritores - Memória Viva de Almada"


A Incrível Almadense está muito bem representada no Ciclo "Escritores - Memória Viva de Almada", que decorre às quartas feiras (quinzenalmente) na Sala Pablo Neruda do Forum Romeu Correia, pois dos quatro escritores convidados três são Incríveis. 

Referimos-nos a Fernando Barão, Luís Alves Milheiro e Alexandre Castanheira, sócios com um passado que nos orgulha a todos, como dirigentes e animadores culturais.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (4)


"História de Mulheres" é um conjunto de contos e novelas de José Régio, em que as principais personagens são sempre mulheres.

É um dos bons livros de prosa de Régio, que para muitos é sobretudo um poeta. Algo completamente errado, pois José Régio escreveu um pouco de tudo, inclusive teatro e ensaios.

Esta obra foi editada pela Portugália Editora em 1968 e é a sua terceira edição. A capa é de João da Câmara Leme.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (3)


O livro de contos, "Este Mundo dos Homens", da autoria de Orlando Gonçalves, enriquecido com as bonitas ilustrações de Cipriano Dourado, editado pela Orion no começo da década de 1950, aborda a temática neo-realista, tão em voga nesses tempos, para quem fazia da sua escrita uma forma de oposição ao poder ditatorial vigente no nosso país.

A obra é dedicada a Ferreira de Castro, Assis Esperança e a Cipriano Dourado e também para: Todos os Homens que têm permanecido Homens.

Apesar de não ser um autor muito conhecido, Orlando Gonçalves tem uma escrita escorreita, oferecendo-nos belos contos desses tempos difíceis suportados pela generalidade dos portugueses.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (2)


"Flores ao Telefone" é o título de um dos livros de contos de Maria Judite de Carvalho da nossa biblioteca, que aconselhamos, a todos aqueles que gostam de histórias cheias de pessoas e de acontecimentos do nosso dia a dia.

Maria Judite de Carvalho foi jornalista e escritora e também esposa de um grande escritor, Urbano Tavares Rodrigues, que foi visita da nossa casa.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Porque Hoje se Festeja Saramago


Porque hoje se festeja José Saramago, o nosso Nobel da Literatura, que faria 93 anos, mostramos com orgulho o seu autógrafo para a nossa biblioteca, do livro "Objecto Quase"...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Boas Leituras da Nossa Biblioteca (1)


Estreamos hoje uma nova rubrica fruto da leitura de livros da nossa biblioteca, as "Boas Leituras da Nossa Biblioteca".

E não podíamos escolher melhor livro que a "Intervenção Sonâmbula" de José Gomes Ferreira, editado pela "Diabril" em 1977.

Trata-se de uma espécie de diário sobre o PREC, com uma incidência especial sobre o ano "quentíssimo" de 1975, principalmente de 11 de Março a 25 de Novembro, com o olhar irónico de uma grande poeta e escritor, que escolheu as palavras para fazer a sua Revolução.

É um livro aconselhável para todos aqueles que gostam da nossa história recente, ou que queiram perceber um pouco melhor o que se passou no nosso país, num período onde se sonhava e lutava quase com a mesma força...